Fecho os olhos, balanço a cabeça negativamente. Odeio essa minha mania de fantasiar, de pensar demais naquilo que foi perdido. Não, eu não quero mais lembrar. Por que é que tem que ser assim? Meu coração não aceita, não entende... Tentei, por vezes, transformar esse sentimento, algo que não me traga tanta dor pelo que se foi, e, mesmo assim, nada acontece.
Você me disse estar bem, e parece, de fato, muito bem; não tenho certeza se isso me convence, mas, querendo ou não, você quer se mostrar dessa forma, então, vejo que já não se importa. Ou se importa até demais, a ponto de fingir e mascarar o que realmente está sentindo.
Tu sabes, eu sei; talvez não tenhamos nos dedicado o suficiente. Hoje, acho que não quero mais pensar nas causas que me trouxeram até aqui, é que ainda dói demais. A ferida acabou de ser aberta e eu não sei como cuidá-la, por enquanto, vou deixá-la quieta, sem pôr band-aid, sem curativos superficiais... O tempo encarregar-se-á de curá-la. Ou, assim espero.
Tudo tá parecendo tão estranho, e os meus dias tão sem sentido... Tô correndo contra o tempo, tenho muitas coisas pra fazer, e o pouco que me sobra é pra distrair-me em algum lugar longe, o mais distante das lembranças que estão alojadas em minha mente. Pra quê? Aonde quer que eu vá, levo tudo comigo, e vejo que, fugindo, só pioro as coisas. Sempre machuca tanto assim, sempre deixa cicatrizes tão grandes assim, sempre ocupa o lugar dos sorrisos verdadeiros assim... E parece que vai ser sempre assim.