agosto 14, 2011

Independente


Já se aproximava do colégio, o coração ansioso por saber que iria vê-lo; no rosto, a expressão de alegria era notada por todos ao seu redor. Trazia música nos fones de ouvido, os pés deixavam transparecer impaciência. A última notícia que Leslie queria receber era aquela que John acabara de mandar por sms para seu celular que vibrava ao recebê-lo. Meu amor, desculpe-me, não irei hoje, mas poderei ver-te quando quiseres. Eu te amo. Logo, Leslie entristeceu, como poderia colocar tanta expectativa em ver seu amor e este não aparecer? Ela pensou em ligá-lo, mas lembrou-se que John havia sido roubado semanas atrás. Então, seguiu para seu destino de todos os dias.
O sinal ainda não havia sido tocado, Leslie entrou no banheiro para dar um rápida fiscalizada em seus cachos rebeldes que se bagunçavam com o vento da estrada, tomou um pouco de água e notou que não havia quase ninguém pelo pátio da escola. Foi para a biblioteca ainda triste por saber que não teria o abraço e o beijo de seu amor durante todo aquele dia, entregou alguns livros locados que já passavam do prazo de devolução e se sentou na mesa mais reservada que tinha, nos fundos, do lado esquerdo das prateleiras que abrigavam os jornais. Leslie ficou ali por algum tempo, pensou em ligar para alguém que estivesse com John naquele momento, ela não agüentava esperar todo aquele tempo sem falar ou saber notícias dele. Não precisou. John tinha pego um celular emprestado de seu primo para falar com Leslie, o que a deixou bastante surpresa ao ver um número desconhecido ligando-lhe, mas, ao ouvir a voz de seu amor, seu anjo, sua vida, seus olhos brilharam, e ela sorriu.
Eles conversaram por dezesseis minutos e quinze segundos, o suficiente para deixar Leslie aliviada, e feliz. Após desligar, ela foi para casa, caminhou até o ponto de ônibus mais próximo e pegou o transporte, mas antes, passou em um pequeno mercado para comprar biscoitos e Coca-Cola, o que a acompanhou durante toda a viagem de volta.
Leslie sentia-se bem, mas não tanto quanto desejava, ela não teria, naquele dia, a força que John a transmitia para viver, tudo o que ela precisava era dele. E mais nada.
O que Leslie não sabia era que John também estava triste, e pensava nela com a mesma intensidade e frequência, o que fazia com que estivessem perto, independente da distância em que se encontravam. 

/Ana Carolina Lima