"Tenho me deparado diariamente com o que não posso evitar, e que idiotice essa a de achar-se capaz de mudar algo além de si mesmo. Chega o dia, amanhece e lá estão as pessoas seguindo seus caminhos, a maioria delas tão intencionalmente vedadas do olhar. Acreditando firmemente que os valores estão naquilo que é, de fato, efêmero. Todos nós o somos, a finitude é uma coisa que, mais dia, menos dia, terei de enfrentar ou, ao menos, tentar compreender. Mas existem efemeridades outras (e falo por mim, num trato assumidamente subjetivo da existência alheia, o que, certamente, pode ser lido como arrogância, mas permitir-me-ei um pouco dela) que, definitivamente, não compreendo ou estou um pouco imaturamente longe de pragmatizar. (...)
E a frustração diária de perceber que não poderemos jamais mudar determinadas coisas, pois a capacidade de fazê-lo daria ao outro o mesmo poder, o que poderia, eventualmente, criar e recriar diversos universos e noções de realidade e certeza que nos pareceriam corretas.
E, ainda míope e astigmatizada, digo a mim mesma: tenha paciência, moça. Hoje, acredito que somente a paciência é capaz de nos acalmar diante não somente da finitude, mas da impossibilidade de ver no outro um pouco daquilo que se pensa belo de si, de seu coração e da idéia de um mundo ideal.
A vida é uma decepção se criarmos fantasias em torno daquilo que – parafraseando – não se pode evitar.
Espero, nos próximos dias, conseguir lembrar-me disso."
(Escrevo, que meu sanar é água - Adaptado)